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sábado, 18 de abril de 2015

Cerâmica Marajoara

Arte Marajoara

                                                Por Emerson Santiago

         É conhecida pelo nome de arte marajoara o conjunto 
de artefatos, sobretudo a cerâmica, produzida por antigos
habitantes da Ilha de Marajó, no Pará. Sua importância reside
no fato de ser considerada a mais antiga arte cerâmica do Brasil
  e uma das mais antigas das Américas. Sua fase mais popular entre
 o público, e que também é alvo da maioria das pesquisas situa-se
 no período de 400 a 1400 d.C.
          Localizada no estado do Pará, região norte do Brasil, Marajó é a
 maior ilha fluvio marinha do mundo, cercada pelos rios
 Amazonas e Tocantins, e pelo Oceano Atlântico. Acredita-se que
 as fases arqueológicas da ilha do Marajó foram cinco, correspondendo
 cada uma a diferentes níveis de ocupação e a diferentes culturas
 instaladas na região (Ananatuba, Mangueiras, Formiga, Marajoara e Aruã).
          Assim, a partir do século I, o povo Marajoara, ao lado do vizinho
 povo Tapajós (que habitava a foz do Amazonas e todo o trecho
 do Rio Tapajós, responsável pela chamada “arte tapajônica”)
 desenvolve uma agricultura itinerante, com queimadas e derrubadas
 de árvores. Suas casas eram construídas sob aterros artificiais, e
 dedicavam-se a confeccionar cerâmicas usando técnicas 
 decorativas coloridas e extremamente complexas, que resultaram
 em peças requintadas de rara beleza.
           Tal produção revela detalhes sobre a vida e os costumes dos antigos
 povos da Amazônia. Os Marajoaras faziam vasilhas, chocalhos, 
 machados, potes, urnas funerárias, estatuetas, apitos, bonecas para
 crianças, cachimbos, porta-veneno para as flechas, além de curiosas
 tangas de cerâmica (um tapa-sexo usado para cobrir as genitália
 das mulheres), talvez as únicas, não só na América mas em todo o
 mundo.
           A arte marajoara ora caracteriza-se pelo zoomorfismo (representação
 de animais) ou antropomorfismo (representação do homem ou
 parte dele), bem como a mistura das duas formas 
 (antropozoomorfismo). Animais como serpentes, lagartos,
 jacarés, escorpiões, e tartarugas estão estilizados em forma 
 de espirais, triângulos, retângulos, círculos concêntricos, 
 ondas, etc. em técnicas variadas. Para aumentar a durabilidade
 do barro agregavam-se outras substâncias-minerais ou vegetais
 como as cinzas de cascas de árvores e de ossos, pó de pedra e 
 concha, além do cauixi, uma esponja silicosa que recobre a raiz 
 de algumas árvores.
            A civilização Marajoara não deixou cidades nem obras de arquitetura
 para a posteridade, mas por outro lado legou uma cerâmica
 capaz de reconstituir sua história. Louças e outros objetos, como
 enfeites e peças de decoração dos antigos povos de Marajó são 
 exemplos da riqueza cultural dos ancestrais dos povos nativos da
 área.
           Dado o apelo comercial que a arte marajoara despertou por volta
 de meados do século XX, hoje em dia muitos dos moradores locais
 da ilha se dedicam a produzir réplicas de várias peças, 
 especialmente os vasos, vendidos a um bom preço a turistas.

 Bibliografia:
 Arte Marajoara/Cerâmica Marajoara. Disponível 


 Cerâmica Marajoara. 

 Disponível 
 Iconografia. Disponível em:
 <http://www.marajoara.com/iconografia.html>. Acesso em: 18 jul.  2012.
Urna funerária em cerâmica Marajoara.

Urna Funerária.

Urna Funerária.


ceramica










 Urnas Funerárias.




Complexidade, detalhes e perfeição - cerâmica marajoara




PARÁ MANTÉM CULTURA MARAJOARA VIVA




                                         PUBLICADO EM FEV/2014
A arte da cerâmica marajoara é uma das mais antigas do Brasil, datada de 600 a 1200 depois de Cristo. Sua origem é dada no Pará, mais especificamente na Ilha de Marajó, a maior ilha fluvial do mundo, localizada na foz do rio Amazonas. Naquela época, os índios do local utilizavam o barro para confeccionar os objetos utilitários ou decorativos. Com o passar do tempo, os indígenas, visando aprimorar a resistência das peças, começaram a misturar o barro com outras substâncias minerais ou vegetais, como pó de pedras ou conchas, cinzas de cascas de árvores ou de ossos e o cauixi, uma espécie de esponja gelatinosa que recobre as raízes subterrâneas das árvores.
Mesmo com a ausência de tecnologia durante o período, as técnicas utilizadas eram muito complexas, dando características próprias à cerâmica marajoara. Seus detalhes davam formas semelhantes ao homem ou a representações de animais e possuíam sempre alto ou baixo-relevo. Em suas peças cromáticas, os índios utilizavam o barro em estado líquido, misturado com pigmentos extraídos de alguns vegetais, como o urucum e o caulim, sendo as cores branca, vermelha e preta as mais utilizadas. Seus traços harmoniosos e simétricos decoravam as cerâmicas marajoaras. Após o término, as peças eram queimadas em fogueiras ou buracos e eram finalizadas com breu de Jutaí, material que proporcionava um efeito brilhoso, muito parecido com o do verniz.
Atualmente, diversas peças da cerâmica marajoara podem ser encontradas em museus pelo Brasil, Nova Iorque e Genebra. No entanto, seu maior acervo está presente no Museu Emílio Goeldi, em Belém. Com o objetivo de incentivar o turismo e o comércio local na cidade de Icoaraci, próxima a Belém, diversos artesãos descendentes de índios tentam preservar e manter a tradição marajoara, fabricando réplicas da cerâmica, ajudando a divulgar os trabalhos indígenas e preservar um dos maiores patrimônios culturais do país.





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